, começar com uma vírgula como clarice, porque o portugal no feminino não tem começo nem fim, continuar com um ponto de exclamação, aliás de admiração ! e depois abrir dois pontos: gabriela gersão rego vieira roriz rosa sousa graça brandão breyner hasse agustina hatherly helena lídia costa espanca horta irene ana andresen barreno fonseca bessa salgueiro carmo correia fiama isabel joão jorge olga luís maria lourdes natália pires teolinda mello teresa menez silva sophia pais paula pintasilgo eunice lisboa llansol velho morais mota muñoz… não há ponto final, só reticências, não de dúvida, mas de continuação, pela mátria de Vieira que não era a mesma de Natália, mas nas duas, terra e língua, está a afirmação da presença feminina, “algo de cereal e de campestre”, de uma força sem a arrogância das maiúsculas, mas que não se deixa pôr entre parêntesis, porque é impossível interromper a humanidade; no feminino estão as raízes que nos unem e os voos que nos libertam, como os anjos mulheres de teresa horta, com as asas feitas de cristal de rocha de memória, as viagens através dos lugares e das pessoas que estão connosco no trabalho para conquistarmos igualmente o direito de sermos diferentes, sem a violência da bipartição, porque isso é condição para a dignidade do que nos torna humanos, do que nos junta num exercício de sensibilidade com inteligência, e vice-versa, educação ou contrato sentimental, feito de pontos de interrogação ?? que são a única maneira de conhecer, pois quem sabe tudo não conhece nada e a certeza indiscutível leva-nos sempre à barbárie, com os olhos convencidos de que viram tudo, e afinal só viram a casca, e assim torna-se impossível pensar a coisa certa, e agir humanamente, continuando a preencher os espaços em branco, sem ponto final

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