Quando a Ana me contacta para que, dentro das matinés pensantes 2017, produzisse a peça de homenagem, a recusa foi a resposta mais fácil. Mas a persistência vence sempre o medo.

A ideia de utilizar uma peça de uso diário como símbolo de uma homenagem ganhou peso. Assumir este símbolo como companheiro do dia-a-dia tornou-se numa ideia querida.

Sendo um candeeiro, trás consigo não só a percepção mas a realidade da luz e da presença. Uma feliz coincidência confere, junto de D. Simone de Oliveira, maior significado a esta ideia de luz e presença; a possibilidade que tem de se colocar de forma vigilante, alto, quase como um farol, ou curvado, oferecendo luz a um mais pequeno espaço ou regaço, só exacerba aquela coincidência.

A peça em si é enganadoramente simples, um “pau” que se dobra sobre si mesmo para dar forma a um (rect)angulo, sem que este movimento seja denunciado por articulação visível. Em qualquer das posições é aparentemente imutável. Sendo o seu movimento sempre um pouco surpreendente, é com algum receio que se executa. Dois cabos unem-se no seu interior, fora da vista, para alimentar a luz.

A sua construção e montagem é de uma dificuldade e rigor que apenas um hábil e dedicado artesão (Sr. Manuel Marques) consegue dominar, sem deturpar a simplicidade do desenho.

O candeeiro é construído à mão; o corpo é em madeira de mogno, contendo no seu interior toda a electrificação (Climar) assim como os elementos de articulação e solidarização das 3 peças que o constituem; os pés são em madeira de wengué contendo, gravada a laser, a inscrição Simone de Oliveira MP bruxelas 2017.

Para o tratamento superficial utilizou-se cera natural.

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